segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Verão

Preso na cascata
um instante:
o verão

Frescura:
os pés no muro
ao dormir a sesta

Com relutância
emerge e abelha
do coração da peónia

Visto à luz do sol
é apenas mais um insecto
o pirilampo

Narciso e biombo
um o outro ilumina
branco no branco

Silêncio:
as cigarras escutam
o canto entre as rochas

Sensação de vazio
Ao despedir-me colhi
uma espiga de trigo

As cigarras cantam
sem saberem que é a morte
que as escuta

Ervas do estio
Eis o resta
do sonho dos guerreiros

No pôr do sol
entre as papoilas brancas
as faces curtidas dos pescadores


de Matsuo Bashô

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