quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Fogo de Artifício


A Camões

A Camões, comparando com os dele os seus próprios infortúnios
O poeta asseteado por amor
Invocação à Noite
A lamentável catástrofe de D. Inês de Castro
Retrato próprio
Em louvor do grande Camões
O autor aos seus versos
Visão Realizada
Proposição das rimas do poeta
Já Bocage não sou!... À cova escura
O Ciúme
Já o Inverno, expremendo as cãs nevosas
Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Desejo Amante
Esperança Amorosa
Sonho
Ó tu, consolador dos malfadados
O Suspiro


de Bocage

Verdes são os campos


Verdes são os campos

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis

Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

de Luís de Camões

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Curva do Danúbio


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo euBeleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

de Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa)

Viajar


Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <>
Deus sabe, porque o escreveu.

de Fernando Pessoa

Beleza


Cansou-se

Cansou-se a flor já de dar cheiro.
Estava farta:
por que diabo a pusemos na nossa mesa?
E tentou lançar sombra
maior do que no jardim,
e cansou-se quando para lá não olhamos.Mas eu dei-me conta.


de József Attila